Carnaval: saiba onde o risco da dengue é maior para os foliões 20/02/2009 • Publicadas no Brasil / Exterior
SÃO PAULO - Os turistas que forem passar o Carnaval em capitais como Salvador ou Recife devem ficar atentos para o risco da dengue. Na Bahia, os números da Secretaria Estadual da Saúde mostram que desde o início deste ano já foram notificados 6.567 casos, o que representa um aumento de 153% em relação ao mesmo período de 2008. A dengue já provocou a morte de seis pessoas -- quatro delas em Porto Seguro, o segundo destino mais procurado pelos turistas, depois de Salvador. As outras mortes ocorreram em Jequié e em Itabuna. Em todo o ano passado, foram 15 mortes no estado.
A dengue pode ter feito a sétima vítima no estadoEm Salvador, que deve receber pelo menos 400 mil turistas neste feriado, a situação está sob controle segundo a secretaria de Saúde. Desde o início do ano, foram registrados 119 casos da doença na cidade. Mas eventos com grande aglomerações, como a passagem dos trios elétricos, aumentam o risco de ataques do mosquito Aedes aegypti.
A Secretaria da Saúde informou que 135 dos 417 municípios da Bahia (o equivalente a 32%) já registraram casos da doença desde janeiro. Em Itabuna (a 429 quilômetros de Salvador), a prefeitura decretou emergência. Foram notificados 900 casos nos últimos 45 dias. A Justiça da cidade autorizou que agentes de combate ao mosquito transmissor da doença entrem em imóveis fechados e em casas onde os donos não permitem o acesso. O juiz Eros Cavalcanti decidiu ainda que a polícia e chaveiros podem ser usados para facilitar a entrada. O Ministério Público de Salvador e o de Jequié fizeram o mesmo pedido à justiça, mas até agora não houve uma decisão.
No Rio de Janeiro, que viveu uma situação de emergência em 2007 por causa da dengue, a situação também está sob controle. De acordo com a secretaria municipal de Saúde, foram registrados 278 casos no mês de janeiro e três mortes ocorridas em 2009 estão sob investigação. Mesmo assim a cidade está entre as 14 capitais que o Ministério da Saúde considera em estado de alerta. Por isso, a recomendação para os turistas e moradores é manter as medidas de prevenção e a atenção aos sintomas da doença. O mesmo vale para São Luís, Natal, Aracaju, Maceió, Belém, Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e Goiânia.
Em Rosário Oeste, a 128 quilômetros de Cuiabá, a Prefeitura cancelou o Carnaval, um dos mais tradicionais de Mato Grosso por causa da dengue. Quase R$ 40 mil seriam gastos com a infraestrutura e os músicos para animar a festa de rua. O dinheiro será usado em medidas emergenciais de combate ao mosquito Aedes aegypti, como mutirões de coleta de lixo, limpeza de terrenos baldios e fiscalização de criadouros nas casas dos moradores. Desde janeiro, a cidade já teve 138 casos suspeitos notificados e 16 confirmados. As notificações equivalem a 20% dos casos registrados no estado.
Em São Paulo, em janeiro, foram registrados 49 casos da doença contra 501 no mesmo período do ano passado, o que coloca a doença sob controle. Em 2008, foram registrados 7.187 casos de dengue no estado contra 92.345 em 2007.
Espírito Santo a Acre lideram casos de dengue este ano
Além da Bahia, o Espírito Santo e o Acre também lideram os casos de dengue este ano no país. No ES, houve 5,7 mil notificações de casos de dengue, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), até o dia 8 de fevereiro. Três mortes causadas por dengue hemorrágica estão sob investigação. Em janeiro do ano passado, foram registradas 758 notificações contra 3.212 em janeiro deste ano, uma diferença de 400%. No Acre, a capital Rio Branco registrou até o último dia 17 de fevereiro, 3.384 casos de dengue. Uma mulher de 31 anos morreu vítima de dengue hemorrágica. Em menos de dois meses de 2009, o número de vítimas é praticamente o mesmo do que o registrado em todo o ano passado, quando 3.814 pessoas foram vítimas de dengue na cidade, com seis casos da forma hemorrágica da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, no final do ano passado, as cidades de Itabuna (BA), Caçamari (BA), Epitaciolândia (AC), Várzea Grande (MT) e Mossoró (RN) estavam em situação de surto da doença.
O levantamento da Ministério mostrou que os criadouros mais frequentes do mosquito variam em cada região do país. No Nordeste, 95,4% desses locais estão ligados ao armazenamento de água (caixas d'água, tambores, poços e tonéis). Nas regiões centro-oeste e sudeste, os principais criadouros são vasos e pratos de plantas, bromélias, ralos, lajes e piscinas. No sul e no norte do país, os criadouros são o lixo.
A pessoa com dengue pode apresentar sintomas como febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, náuseas ou até mesmo não apresentar qualquer sintoma. O aparecimento de manchas vermelhas na pele, sangramentos no nariz e nas gengivas, dor abdominal contínua e vômitos também podem indicar um sinal de alarme para dengue hemorrágica, que pode ser fatal.
Quem suspeitar que contraiu dengue deve procurar um médico, já que as manifestações iniciais podem ser confundidas com outras doenças, como febre amarela, malária ou leptospirose. A orientação é ingerir muito líquido, como água, suco, chás e soros caseiros. Não devem ser usados medicamentos à base de ácido acetil salicílico e antiinflamatórios, como aspirina e AAS, que aumentam o risco de hemorragias.
A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor. Não se deve acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras. Diluir 10 ml de água sanitária em cada litro de água é suficiente para matar todas as larvas do Aedes aegypti em 24 horas. A mistura pode ser despejada em pias, ralos e calhas e pode ser usada na limpeza da casa, em vasos e outros objetos que acumulam água.
fonte: Jornal O Globo (Rio de Janeiro)

Voltar à página anterior
