Dengue movimenta unidades de saúde em BH 01/03/2009 • Publicadas no Brasil / Exterior

O aumento do número dos casos de dengue em Belo Horizonte tem provocado apreensão entre a população. Muitas pessoas com os sintomas da doença, causada pelo mosquito Aedes aegypti, lotaram ontem as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) da cidade e enfrentaram horas de espera por um atendimento médico. A demora era tanta que uma usuária do sistema público de saúde, que chegou à UPA Venda Nova por volta da meia-noite de sexta-feira, não conseguiu aguardar e acabou voltando para casa na manhã de ontem. A dona-de-casa e vizinha dela, Marli Coelho, de 52 anos, conta que a mulher, que está com suspeita de dengue, passa muito mal. “Ela sequer foi atendida. Isso é um desrespeito com a gente”, ressalta.

O pedreiro Lino Bernardes, de 45 anos, reclamava de febre, dores de cabeça e pelo corpo todo. Ontem, ele procurou a UPA Venda Nova às 9h e só foi recebido pelo médico por volta das 15h. Ele diz que passou uma semana na Ilha do Mangabal, em Três Marias (Região Central de Minas), onde começou a sentir os sintomas da doença. “Estou mal há três dias. Nem consegui ficar lá. Tive que vir embora para procurar atendimento. Sinto que, à noite, as dores pioram e não consigo dormir”, declara.

Na UPA Leste, a movimentação de pessoas com sintomas da doença foi pequena. A paciente Juliana Paula Oliveira, de 27 anos, que ficou internada durante toda a sexta-feira por causa da dengue, foi transferida para a Santa Casa de Belo Horizonte. Ela, que na quinta-feira foi flagrada pelo Estado de Minas na UPA Leste, chorando por não poder receber soro por falta de vaga, depois de uma longa espera por atendimento, pode estar com dengue hemorrágica. Contudo, a SMSA informa que ainda não há nenhuma confirmação sobre essa suspeita.

A indignação pela demora no atendimento deixou o estudante Gustavo Henrique do Espírito Santo, de 17 anos, bastante nervoso. Ele alega que chegou à UPA Norte às 6h e, até as 10h15 tinha sido avaliado somente pelas enfermeiras do acolhimento. “Estou muito indisposto, com dores de cabeça, sem força e, à noite, tive febre e calafrios. Tinha que ter mais médicos no plantão. Deveriam nos respeitar, porque, com o estresse de aguardar, sinto que minha situação só piora”, comenta.

De acordo com a gerente da UPA Norte, Silvana Nascimento, Gustavo foi chamado duas vezes para ser atendido, mas não teria respondido. Ela garante que a espera na unidade tem sido de, aproximadamente, duas horas. “Os casos da dengue têm aumentado, bem como a demanda. Porém, temos que respeitar o processo de classificação de risco, uma vez que atendemos emergências e várias outras patologias”, justifica. Ela acredita que, a partir do próximo fim de semana, quando alguns postos de saúde passarão a atender os casos de dengue, das 8h às 17h, os pacientes serão avaliados com mais agilidade.

Dados da Secretaria de Saúde revelam que a Região Norte de Belo Horizonte é a que mais registrou casos da dengue clássica (201), seguida pela Leste (36) e Venda Nova (34). A quarta região mais afetada por essa forma da doença é a Noroeste (27). Em seguida vem a Nordeste (20), Pampulha (16), Oeste (15), Centro-Sul (12) e Barreiro (3). Há sete casos de dengue com complicações, sendo seis na Norte, um na Nordeste e um na Noroeste. Venda Nova é a região que teve o único caso de dengue hemorrágica da capital.

Capacitação

Cerca de 400 pessoas, entre adolescentes de 16 a 18 anos assistidos pela Associação Profissionalizante do Menor (Assprom) e seus familiares, participaram ontem, no auditório da SMSA, de treinamento sobre as medidas de controle da dengue e combate aos focos do mosquito transmissor. Os jovens participarão de mobilizações no próximo sábado. Semanalmente, outros grupos serão capacitados e a expectativa da Secretaria de Saúde é de treinar, ao todo, 2.807 pessoas.

fonte: site Aqui - Daniela Galvão - MG