Mais de 80 focos de dengue são identificados em 3 bairros na Zona Oeste do Recife 29/04/2009 • Publicadas no Brasil / Exterior

No segundo sobrevoo para detectar possíveis focos do mosquito da dengue, nessa terça-feira (28), a Secretaria de Saúde do Recife encontrou quatro vezes mais pontos de risco que no primeiro, realizado 12 dias atrás na Zona Sul.

Em três bairros da Zona Oeste – Jardim São Paulo, Sancho e Tejipió – visualizaram-se 88 locais com água acumulada exposta. Em cinco bairros da Zona Sul, foram 22. Os dados indicam que as equipes da vistoria por terra terão trabalho redobrado até 13 de maio, data prevista para o fim da operação.

O helicóptero cedido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta, por meio de sistema de posicionamento (GPS), o local exato onde estão os potenciais pontos reprodução do inseto. Todos os 94 bairros serão vistoriados. Até sábado, a inspeção acontece nos bairros de Afogados, Barro, Caçote, Mustardinha e San Martin. A partir da próxima semana, essas informações guiarão os agentes de saúde ambiental no trabalho em solo, quando começam a erradicar os focos.

De janeiro até ontem, a capital contabilizou 589 casos suspeitos de dengue, número 64% menor que no mesmo período do ano passado. Para evitar que a estatística retorne ao nível de 2008, a população precisa colaborar e checar se há qualquer sinal de proliferação do Aedes aegypti. “As pessoas se descuidaram. Deixam caixas-d’água descobertas, lajes inundadas e piscinas abandonadas”, alerta o gerente do Programa de Saúde Ambiental da Prefeitura do Recife, Otoniel Barros.

Ele lembra que o mosquito não põe ovos apenas em água limpa. Em locais onde não a encontra, o inseto migra para as áreas poluídas. Por isso, os moradores do entorno do Canal de Guarulhos, em Jardim São Paulo, temem um surto de dengue. As margens do canal ostentam inúmeras poças d’água, resquício do transbordamento que ocorre a cada chuva. Além disso, a baixa pressão da água obriga os moradores a guardar o líquido em baldes e reservatórios maiores.

Mesmo com tampa, a caixa-d’água da dona de casa Roseane Maciel, 32 anos, está cheia de larvas. “Chamei os agentes de saúde, mas ninguém apareceu até agora para acabar com elas. Fico sem saber que tipo de mosquito colocou ovos aqui. Não quero que minha filha pegue dengue”, reclama a mulher, moradora da Rua Itamirim, que margeia o canal.

A Rua Guarulhos guarda, na casa nº 119, provável foco de Aedes aegypti. O interior do imóvel está inundado. Segundo a vizinha Maria José da Silva, 52, permanece fechado há um ano. Na Rua Artur Barreto Lins, perto dali, já houve casos da doença. “Meu pai pegou e nós ficamos com muito medo de adoecer também. Tem muita água parada nas ruas e a prefeitura deveria cuidar disso”, cobra o estudante Jefferson Rodrigues, 16.

Em caso de suspeita de dengue, a primeira providência é procurar um posto de saúde. Denúncias sobre focos de mosquito ajudam a orientar o trabalho da Secretaria de Saúde do Recife no combate à epidemia. As ligações devem ser feitas para a Ouvidoria Municipal, no 0800-281-1520.

fonte: site JC online - Recife