Bahia é líder em casos de dengue, mas recebe menos dinheiro 12/05/2009 • Publicadas em Mato Grosso do Sul

Jorge Gauthier | Redação CORREIO

Apesar da liderança no número de casos de dengue no Brasil, a Bahia é apenas o terceiro estado do país em repasse de verbas emergenciais do Ministério da Saúde. Segundo dados divulgados ontem (11), enquanto a Bahia recebeu R$9,5 milhões adicionais e registrou 56.135 casos da doença, o Rio de Janeiro, que teve apenas 5.522 casos, teve repasse de quase R$19 milhões.

A superintendente de vigilância e proteção da saúde da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), Lorene Pinto, afirma que o número de casos não é critério para a alocação dos recursos. “O repasse de verbas não leva em consideração a ocorrência de casos da doença. Desde outubro de 2008, repasse é feito proporcional à área geográfica e à população. Se a relação fosse pelos casos, teríamos mais recursos para investir no combate e tratamento”, explica Lorene.

Os números do ministério mostram que o país registrou 226.513 notificações de dengue nas primeiras 15 semanas deste ano (1º de janeiro até 11 de abril). No mesmo período de 2008, o total foi de 440.360 casos.

A Bahia está entre os oito estados que tiveram aumento dos casos comparados com o ano anterior. “Em 2009 tivemos um grande crescimento porque quase 50% dosmunicípios não cumpriram suas metas de combate aos focos no ano anterior. Houve pouca consistência no trabalho de combate”, afirma Lorene.

A maioria dos recursos recebidos do ministério é direcionada à compra de materiais de trabalho dos agentes de endemias. “Este recurso adicional serve para adquirir equipamentos para o trabalho de campo, que é fundamental na ação contra o mosquito. Pois a maioria dos nossos focos está nointeriordas casas”,destaca Lorene. Além disso, a Sesab recebe R$1 milhão por mês para investir em todas as doenças e cada município tem um repasse direto do ministério para usar na saúde (rede básica, combate e hospitalar).

Cerca de 80% dos recursos da saúde são repassados pelo Fundo Nacional de Saúde para as prefeituras.

Casos Graves
Comparado com 2008, houve queda de 78,2% em relação às formas graves da doença no Brasil. Mas a Bahia não acompanhou esse declínio. No primeiro o quadrimestre desteanoforam 416 casos graves com 49 mortes. Segundo a Sesab, em todo o ano passado, confirmaram- se 262 casos e 15 óbitos.

A superintendente da Sesab ressalta que a incidência de casos graves pode ser ainda maior nos próximos anos. “Convivemos com a dengue há cerca de 20 anos no estado e a tendência é de crescimento, caso não haja uma conscientização das pessoas. Além da dificuldade do combate dentro dos imóveis, temos que nos preocupar com a educação da população. Se a dengue pudesse ser curada com uma vacina, seria mais fácil. A dengue é uma doença vetorial, que tem interferência das condições de habitação, saneamento e, por isso, temos deficiência no combate”.

Em 2009,o ministério também fez a transferência R$ 1,35 milhão para compra de capas de caixa d’água e R$697 mil para a aquisição de 20 veículos e 21 equipamentos (nebulizadores costais motorizados) para distribuição na Bahia. Além disso, forneceu 587 toneladas de larvicida, seis mil litros de inseticida, 70 kits reagentes para diagnóstico de dengue e 40 kits para teste rápido (NS1) de dengue.

Dengue - Os campeões do Brasil
Fonte: Ministério da Saúde

Bahia 56.135
Minas Gerais 41.439
Espírito Santo 29.653
Acre 15.685
Goiás 15.135
Mato Grosso 11.140
Mato Grosso do Sul 7.510
Rio de Janeiro 5.522
Pará 5.124
Rondônia 4.854

(Notícia publicada na edição impressa de 12/05/2009 do CORREIO)

fonte: site o Correio - Bahia