MS prepara campanha de prevenção da dengue para Verão 2010 25/06/2009 • Releases

Campo Grande (MS) – De acordo com levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES), os casos notificados de dengue em Mato Grosso do Sul totalizam 11.575. Este resultado é a soma das notificações da doença desde o início de 2009 até a última sexta-feira (19). Dos 78 municípios do Estado, 14 ainda não registraram nenhuma notificação.

Em 2007 o Estado passou por uma epidemia de dengue e foram registradas 75.173 notificações, a maioria do tipo 3. Após a intensificação dos trabalhos das secretarias de Saúde e da conscientização da população sobre a doença, ano passado houve uma queda de 93,11% de casos notificados e, 2008 finalizou com 5.175 casos.

Para a campanha Verão 2010, o Governo do Estado deve investir pelo menos R$ 1 milhão no enfrentamento da doença. Este dinheiro será aplicado em capacitação de agentes de saúde, campanha publicitária, distribuição de larvicidas, bombas costais, compra de veículos automotores.

Um diferencial nos trabalhos, em relação aos anos anteriores, é a ênfase à assistência à saúde. A SES vai capacitar em massa os enfermeiros e médicos no que se refere à atualização dos conhecimentos sobre a dengue. Conforme o diretor de Vigilância em Saúde, Eugênio de Barros, no próximo verão existe a preocupação da circulação dos tipos 1 e 2, que podem atingir, principalmente, crianças.

“Estamos trabalhando na prevenção dos vetores, contudo, sabemos que mesmo assim haverá casos e a tendência é de que ocorram em crianças nascidas depois de 2000 [últimas epidemias dos vírus do tipo 1 e 2]. Desses casos alguns serão graves”, afirma.

Outra novidade que o governo prepara é a confecção e distribuição de material que vai auxiliar na realização da “Prova de Laço” – uma das formas de identificar se a pessoa tem ou não dengue. A prova é indicada em todos os casos com suspeita de dengue.

A Prova do Laço funciona da seguinte maneira: é desenhado com uma esferográfica um quadrado de 2,5 cm de lado no antebraço da pessoa. Em seguida, o profissional da saúde tira a média da pressão arterial do paciente e conta o número de petéquias (aparecimento de pequenos pontos de sangramento sob a pele) no quadrado. O resultado será positivo se houver 20 ou mais petéquias em adultos e 10 ou mais em crianças.

A prova do laço é importante porque avalia a fragilidade capilar e pode refletir a queda do número de plaquetas. Ela pode ser a única manifestação hemorrágica da febre hemorrágica da dengue ou dos casos mais complicados da doença. Clinicamente, a dengue pode se apresentar de três formas diferentes:
• Dengue clássica – nos adultos a primeira manifestação é a febre alta e abrupta, associada à dor de cabeça, prostração, dores musculares, nas juntas, atrás dos olhos e vermelhidão no corpo. Já nas crianças se inicia com febre alta acompanhada de sintomas inespecíficos: apatia, sonolência, recusa da alimentação, vômitos e diarréia.
• Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) – as manifestações iniciais são as mesmas da forma clássica até quando aparecem as manifestações hemorrágicas (espontâneas ou provocadas). O hemograma mostra que as plaquetas caem para menos de 100 mil/milímetro cúbico e a pressão arterial pode baixar.
• Dengue com Complicações – é todo caso que não se enquadra nas duas formas anteriores, devido ao risco evidenciado por uma das seguintes complicações: alterações neurológicas, sintomas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva, derrame pleural, hemograma com glóbulos brancos abaixo de 1.000 e/ou plaquetas abaixo de 50 mil.

A identificação precoce dos casos de dengue é fundamental para o controle de uma possível epidemia. O vírus pode causar um espectro variado de doenças que inclui desde formas inaparentes ou subclínicas até quadros de hemorragia que podem levar ao choque e ao óbito.

Todo material para a campanha Verão 2010 deve ser entregue em agosto durante a reunião da Comissão Intersetorial Bipartite (CIB) que reuni representantes de todos os municípios do Estado.

A equipe da Secretaria de Estado de Saúde desde o início do ano não parou de trabalhar. Mesmo nas estações de outono e inverno – período em que a doença é menos agravante –, os servidores estão viajando para o interior e realizando capacitações, além de fazer acompanhamentos mais próximos naqueles municípios em que há qualquer tipo de dificuldade nos trabalhos de prevenção e combate à dengue.

Prevenção

O grande problema para combater o mosquito Aedes aegypti (causador da dengue) é que sua reprodução ocorre em qualquer recipiente utilizado para armazenar água, tanto em áreas sombrias como ensolaradas. Por exemplo: caixas d'água, barris, tambores, vidros, potes, pratos e vasos de plantas ou flores, tanques, cisternas, garrafas, latas, pneus, e muitos outros onde a água da chuva é coletada ou armazenada. Portanto, considerando essa facilidade de disseminação, o grau de dificuldade para efetivamente combater a doença é imenso – o que só é possível com a quebra da cadeia de transmissão, eliminando o mosquito dos locais onde se reproduzem.

Assim, a prevenção e as medidas de combate exigem a participação e a mobilização de toda a comunidade a partir da adoção de medidas simples, visando a interrupção do ciclo de transmissão e contaminação. Caso contrário, as ações isoladas dos governos podem ser insuficientes para acabar com os focos da doença.

Veja agora algumas das atitudes que as pessoas podem fazer como forma de prevenção da dengue:
• espirais ou vaporizadores elétricos: devem ser colocados ao amanhecer e/ou no final da tarde, antes do pôr-do-sol, horários em que os mosquitos da dengue mais picam;
• repelentes: podem ser aplicados no corpo, mas devem ser adotadas precauções quando utilizados em crianças pequenas e idosos, em virtude da maior sensibilidade da pele;
• tampar os grandes depósitos de água (caixas d'água, tanques, tinas, poços e fossas, por exemplo) e limpar: a boa vedação impede que os mosquitos depositem seus ovos, além da limpeza periódica que também contribui;
• remover o lixo: o acúmulo de lixo e de detritos em volta das casas pode servir como excelente meio de coleta de água de chuva. Portanto, as pessoas devem evitar tal ocorrência e solicitar sua remoção pelo serviço de limpeza pública - ou enterrá-los no chão ou queimá-los, onde isto for permitido.

fonte: Governo do Estado / Secretaria de Estado de Saúde / Karla Tatiane