Ministro Temporão: Mato Grosso do Sul unido contra a dengue 16/11/2009 • Publicadas no Brasil / Exterior
Brasília (DF) – O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, chega ao Mato Grosso do Sul nesta terça-feira (17) para mobilizar gestores e profissionais de saúde, além de comunicadores e formadores de opinião, no reforço das ações de combate à dengue. A segunda etapa de mobilização começou hoje (16), pelo Amazonas. Amanhã, o ministro também deve ir ao Mato Grosso.
A primeira fase da mobilização começou com a visita de Temporão a Pernambuco, Bahia e Ceará, na primeira semana de novembro. Outros três estados prioritários para o controle da doença receberão a visita do ministro, em datas ainda a serem confirmadas: Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Até o fim do mês, Temporão terá percorrido mais de 10 mil quilômetros.
O envolvimento direto do ministro tem um motivo: dar continuidade às ações que permitiram resultados importantes no controle da doença. De acordo com balanço parcial do Ministério da Saúde, os casos de dengue em todo o Brasil caíram 46,3% nas 30 primeiras semanas de 2009 em relação ao mesmo período de 2008 (1º de janeiro a 1º de agosto): foram 406.883 notificações neste ano, contra 758.051 no ano passado (veja tabela abaixo).
Mato Grosso do Sul é um dos seis estados que vão receber atenção especial do Ministério da Saúde no controle da dengue entre 2009 e 2010 por ter apresentado aumento no número de casos. Entre 1º de janeiro e 1º de agosto deste ano, o estado registrou 12.441 casos da doença, contra 4.065 no mesmo período do ano passado. Os outros estados que também apresentaram aumento de casos são Acre, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Bahia.
Sete municípios são considerados prioritários para o controle da dengue no Mato Grosso do Sul: Bonito, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas. A indicação leva em conta os seguintes critérios: capitais de estados e suas regiões metropolitanas, população igual ou superior a 50 mil habitantes e cidades municípios com risco de introdução de novos sorotipos de dengue (como cidades em áreas de fronteiras, portuárias ou pólos turísticos).
Tendência Nacional - O novo balanço parcial divulgado pelo Ministério, no último dia 29 de outubro, juntamente com a Campanha Nacional de Combate à Dengue 2009/2010, confirma a tendência de queda nacional nas notificações verificada nas avaliações anteriores. A redução foi observada em 20 estados e no Distrito Federal. O Rio de Janeiro registrou a maior queda (95,9%), seguido do Rio Grande do Norte (93,0%) e Sergipe (90,4%). Os estados do Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apresentaram aumento no número de casos.
No lançamento da campanha, o ministro Temporão enfatizou a necessidade de continuidade das ações de enfrentamento da doença nos estados e municípios. “Os resultados mostram que estamos no caminho certo. O combate não pode parar. A dengue é um problema de saúde pública relevante e toda a população deve estar mobilizada por meio de medidas de prevenção e controle da doença”.
Casos Graves e Óbitos - Os casos graves de dengue caíram 79,2% em todo o país, passando de 20.579 nas 30 primeiras semanas de 2008 para 4.281 no mesmo período de 2009. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD). Os casos de DCC são pessoas que tiveram complicações decorrentes da doença, mas que não chegaram a ter um quadro classificado como dengue hemorrágica. No Mato Grosso do Sul, foram 6 casos de DCC e nenhum de FHD. Em 2009, entre janeiro e 1º de agosto, foram 7 casos de FHD e 37 de DCC.
O balanço parcial do Ministério da Saúde também revela redução de 63,2% nas mortes em decorrência da dengue. De acordo com dados enviados até 1º de agosto, houve 166 óbitos neste ano, sendo 103 por FHD e 63 por DCC. No mesmo período do ano passado, foram registradas 451 mortes (213 por FHD e 238 por DCC). No Mato Grosso do Sul, não houve óbitos por dengue em 2008. Entre janeiro e 1º de agosto de 2009, uma pessoa morreu de dengue hemorrágica.
Destaca-se que nos estados do Amapá, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraná, mesmo com registro de casos graves de dengue, as Secretarias Estaduais de Saúde não notificaram a ocorrência de óbitos. Na Paraíba, a Secretaria Estadual de Saúde não notificou nem casos graves nem óbitos por dengue.
Dengue no Mato Grosso do Sul
2008¹ 2009²
Casos gerais 4.065 12.441
Casos de FHD 0 7
Casos de DCC 6 37
Óbitos por FHD 0 1
Óbitos por DCC 0 0
¹ Dados do ano inteiro
² 1º/janeiro a 1º/agosto
NÚMERO DE CASOS DE DENGUE – BRASIL
UF 2008 2009
Norte 69.099 49.427
RO 7.692 6.823
AC 2.141 18.106
AM 10.291 1.886
RR 5.632 4.388
PA 22.394 9.145
AP 1.498 2.635
TO 19.451 6.444
Nordeste 250.311 136.713
MA 5.774 1.914
PI 4.885 4.360
CE 64.355 12.250
RN 42.512 2.973
PB 8.349 884
PE 39.162 5.477
AL 17.564 3.904
SE 34.169 3.275
BA 33.541 101.676
Sudeste 362.114 136.768
MG 71.610 69.720
ES 33.403 50.482
RJ 250.220 10.365
SP(1) 6.881 6.201
Sul 16.239 8.164
PR 14.862 7.732
SC(2) 655 209
RS(2) 722 223
Centro Oeste 60.288 75.811
MS 4.065 12.441
MT 10.504 35.501
GO 42.696 26.531
DF 3.023 1.338
Total 758.051 406.883
Fonte: SVS/SES* Dados até a semana epidemiológica 30, sujeitos a alteração
¹ Registro apenas de casos confirmados laboratorialmente
² Não há registro de casos autóctones, apenas de casos importados
Campanha
Com o mote “Brasil Unido contra a Dengue”, a campanha lançada no último dia 29 de outubro dá continuidade às ações de prevenção e enfrentamento da doença realizadas no país, desde o ano passado. Isso porque, apesar dos dados positivos, as ações de prevenção e combate à dengue devem ser mantidas durante os períodos de baixa transmissão e reforçadas nas épocas de pico, para que o número de casos e óbitos não volte a aumentar. Serão veiculados quatro filmes de TV e cinco spots para incentivar a mobilização social, o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti e os sintomas da doença.
Ações 2009/2010
O combate e a prevenção à dengue estão entre as prioridades do governo federal, estados e municípios. Estão mantidos os recursos investidos nas ações de 2008/2009, incluindo a incorporação de R$ 128 milhões ao Teto Financeiro de Vigilância em Saúde (TFVS). Para 2009, o Teto Financeiro para todo o país será de R$ 1,02 bilhão. Os recursos incluem os repasses do TFVS, usado no combate de diversas doenças, com priorização para dengue; e o envio de inseticidas, larvicidas, veículos e equipamentos para fumacê.
Além do Teto, houve investimento de R$ 55 milhões em compras diretas do Ministério da Saúde até outubro deste ano especificamente para combater a dengue, com ações como campanha publicitária, treinamento e capacitação, equipamentos e insumos, entre outras atividades.
O Ministério da Saúde tem estoque estratégico de medicamentos, inseticidas e equipamentos para combater a doença no Brasil. São 2,77 milhões de unidades de paracetamol (gotas e comprimidos), 2,03 milhões de frascos de soro fisiológico injetável e 562,7 mil envelopes de sais de reidratação oral que serão utilizados em situações epidêmicas. Essa medicação é essencial para a atenção ao paciente e será utilizada em situações epidêmicas em apoio aos estados e municípios.
Outros 250 mil litros de inseticidas e 3,5 toneladas de larvicidas serão distribuídos ao longo das ações de controle vetorial. Também há 6,5 mil kits de diagnósticos, suficientes para a realização de 170 mil exames. Além disso, em caso de necessidade, o Ministério da Saúde poderá colocar à disposição uma reserva estratégica de 77 nebulizadores costais motorizados e 142 equipamentos de fumacê.
Nos próximos meses, o Ministério implantará a notificação online de casos e mortes pela doença e divulgará os resultados nacionais do Levantamento Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) em 169 municípios. Além disso, haverá supervisão do uso do teste rápido para detecção do sorotipo viral da dengue nos estados da BA, ES, GO, MS, PB, PE, RJ e SE. Em outros oito estados, já houve supervisão do uso do teste: CE, RO, RR, AC, AP, SP, PR e MG.
Diretrizes Nacionais
Em julho deste ano, o Ministério lançou as Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, um documento inédito elaborado em parceria com estados e municípios para unificar as ações de vigilância e assistência em saúde em todo o país. A proposta é manter gestores em alerta durante todo o ano e organizar as atividades de prevenção e controle, em períodos de baixa transmissão ou em situações epidêmicas, para evitar surtos e reduzir o número de casos e mortes.
fonte: Ministério da Saúde

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