Saúde deflagra campanha de combate à dengue no Mato Grosso do Sul 19/11/2009 • Publicadas no Brasil / Exterior
Brasília (DF) – O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, desencadeou na terça-feira (17/11), em Campo Grande, uma mobilização entre gestores e profissionais de saúde, além de comunicadores e formadores de opinião, no reforço às ações de combate à dengue no Mato Grosso do Sul. No estado, onde houve no primeiro semestre um aumento de casos em relação ao mesmo período do ano passado, ele reiterou sua preocupação quanto à interferência das mudanças climáticas e à suscetibilidade das zonas de fronteira para o controle da doença. A segunda etapa de mobilização começou nesta segunda-feira (16), pelo Amazonas. Ainda na terça, o ministro esteve no Mato Grosso.
“Eu quero chamar a atenção que esta doença só existe com a presença do vetor (o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti). E esse é um grande desafio, porque há uma outra dimensão: o aquecimento global e a adaptação do vetor. As mudanças climáticas afetam o ritmo e a quantidade de chuvas e isso, para mim, tem um impacto que torna ainda mais complexo o combate à doença”, observou o ministro, no encontro realizado com jornalistas de todo o estado, na Escola de Saúde Pública Dr. Jorge David Nasser.
No estado, por exemplo, as mudanças climáticas foram apontadas como um dos fatores a interferir inclusive no período de maior incidência da doença. Enquanto nos anos anteriores, ocorria entre fevereiro e março, no ano passado foi entre abril e maio, apontou Temporão. Quanto ao controle das áreas na fronteira – Corumbá, na divisa com a Bolívia e o Paraguai chegou a registrar um surto no começo deste ano –, o ministro sustentou as ações de transferência de conhecimento e de materiais.
Esse tipo de ação já está ocorrendo em relação à Bolívia, por exemplo, país para o qual o Ministério da Saúde empreendeu o Levantamento Rápido de Índice de Infestação Predial por Aedes aegypti (Liraa). “Em todas as regiões e cidades de fronteira, o problema é maior, porque não adianta nada se do lado de lá o combate não se der na mesma intensidade”, ressaltou.
Em Campo Grande, o ministro ainda realizou um encontro com gestores de saúde, no mesmo local, com as presenças do governador André Puccinelli, do prefeito do município, Nelson Trad Filho, e da secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi. Temporão participou da gincana promovida pela Secretaria Municipal de Saúde, conhecida como “Bairros Unidos contra a Dengue”, e da entrega pelo governo estadual de 20 motos para auxiliar na supervisão das ações de combate à doença em 12 municípios do Mato Grosso do Sul.
Caravana da Dengue - A primeira fase da mobilização começou com a visita de Temporão a Pernambuco, Bahia e Ceará, na primeira semana de novembro. Outros três estados prioritários para o controle da doença ainda deverão receber a visita do ministro, em datas ainda a serem confirmadas: Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Até o fim do mês, Temporão terá percorrido mais de 10 mil quilômetros.
O envolvimento direto do ministro tem um motivo: dar continuidade às ações que permitiram resultados importantes no controle da doença. De acordo com balanço parcial do Ministério da Saúde, os casos de dengue em todo o Brasil caíram 46,3% nas 30 primeiras semanas de 2009 em relação ao mesmo período de 2008 (1º de janeiro a 1º de agosto): foram 406.883 notificações neste ano, contra 758.051 no ano passado (veja tabela aqui).
Mato Grosso do Sul é um dos seis estados que vão receber atenção especial do Ministério da Saúde no controle da dengue entre 2009 e 2010 por ter apresentado aumento no número de casos. Entre 1º de janeiro e 1º de agosto deste ano, o estado registrou 12.441 casos da doença, contra 4.065 no mesmo período do ano passado. Os outros estados que também apresentaram aumento de casos são Acre, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Bahia.
Sete municípios são considerados prioritários para o controle da dengue no Mato Grosso do Sul: Bonito, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Dourados, Ponta Porá e Três Lagoas. A indicação leva em conta os seguintes critérios: capitais de estados e suas regiões metropolitanas, população igual ou superior a 50 mil habitantes e cidades municípios com risco de introdução de novos sorotipos de dengue (como cidades em áreas de fronteiras, portuárias ou pólos turísticos).
Tendência Nacional - O novo balanço parcial divulgado pelo Ministério, no último dia 29 de outubro, juntamente com a Campanha Nacional de Combate à Dengue 2009/2010, confirma a tendência de queda nacional nas notificações verificada nas avaliações anteriores. A redução foi observada em 20 estados e no Distrito Federal. O Rio de Janeiro registrou a maior queda (95,9%), seguido do Rio Grande do Norte (93,0%) e Sergipe (90,4%). Os estados do Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apresentaram aumento no número de casos.
“Esta doença tem um forte componente de infra-estrutura urbana embutido: água, saneamento ambiental, recolhimento de lixo, limpeza das cidades, educação e formação’, ressaltou o ministro. É por isso que criamos um grupo interministerial, que tem 10 ministérios, tentando exatamente trabalhar as situações intersetoriais. Tenho dados interessantes: na parceria com o Ministério das Cidades, em relação ao Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) 2008, foram destinados quase R$ 200 milhões para o Mato Grosso do Sul para o saneamento básico”.
Casos graves e óbitos - Os casos graves de dengue caíram 79,2% em todo o país, passando de 20.579 nas 30 primeiras semanas de 2008 para 4.281 no mesmo período de 2009. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD). Os casos de DCC são pessoas que tiveram complicações decorrentes da doença, mas que não chegaram a ter um quadro classificado como dengue hemorrágica. No Mato Grosso do Sul, foram 6 casos de DCC e nenhum de FHD. Em 2009, entre janeiro e 1º de agosto, foram 7 casos de FHD e 37 de DCC.
O balanço parcial do Ministério da Saúde também revela redução de 63,2% nas mortes em decorrência da dengue. De acordo com dados enviados até 1º de agosto, houve 166 óbitos neste ano, sendo 103 por FHD e 63 por DCC. No mesmo período do ano passado, foram registradas 451 mortes (213 por FHD e 238 por DCC). No Mato Grosso do Sul, não houve óbitos por dengue em 2008. Entre janeiro e 1º de agosto de 2009, uma pessoa morreu de dengue hemorrágica.
Destaca-se que nos estados do Amapá, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraná, mesmo com registro de casos graves de dengue, as Secretarias Estaduais de Saúde não notificaram a ocorrência de óbitos. Na Paraíba, a Secretaria Estadual de Saúde não notificou nem casos graves nem óbitos por dengue.
fonte: Ministério da Saúde

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