Governo admite que epidemia de Dengue pode tornar-se endémica no arquipélago 27/01/2010 • Publicadas no Brasil / Exterior

Cabo Verde

Praia - O Governo de Cabo Verde admitiu hoje (quarta-feira), haver factores que não controla e que há riscos de a Dengue, cujo surto epidémico "já acabou", poder tornar-se endémico no arquipélago.

A suspeita foi avançada pelo ministro da Saúde cabo-verdiano, Basílio Mosso Ramos, tendo reconhecido que apesar dos esforços já feitos, o deficiente estado do saneamento básico, aliado ao padrão de comportamento da população, obriga a encarar a hipótese da doença se tornar endémica.

"Pode afirmar-se que o surto epidémico terminou, apesar de se registar ainda casos esporádicos nas ilhas do Fogo e de Santiago, devido à persistência dos mosquitos, como ficou provado por um estudo entomológico realizado na semana finda", disse o ministro, numa conferência de imprensa.

Segundo Basílio Ramos, a epidemia foi laboratorialmente confirmada a 21 de Outubro de 2009, tendo sido registados, até terça-feira última, 21.304 casos, 174 dos quais evoluiram para febre hemorrágica, quatro mortes por causa de uma doença que Cabo Verde nunca tinha conhecido e que a todos apanhou desprevenidos.

Em relação ao total de vítimas mortais da doença, o ministro "corrigiu" os números sistematicamente avançados pelo ministério, indicando que dois dos seis casos de morte suspeitos de Dengue, depois de analisados em laboratório, demonstraram que as causas não estavam relacionadas com a doença.

De qualquer forma, insistiu Basílio Ramos, "muito longe do pico registado a 04 de Novembro de 2009" (1.105 casos), continuam a surgir "casos esporádicos" nas ilhas de Santiago e Fogo, tendo sido detectados, nas últimas quatro semanas, 208 casos, embora com tendência decrescente - dos 70 de há quatro semanas, o número baixou sucessivamente até os 23 nos últimos sete dias.

O governante alertou que o vector transmissor da doença, o "aedes aegypti", "continua presente em todas as ilhas", pelo que, defendeu, se torna "imperioso" continuar a luta contra o mosquito "em todos os cantos do país" e, em particular, nas residências dos mais desfavorecidos.

Basílio Ramos realçou que o Governo está a finalizar o Plano de Prevenção e de Controlo de Doenças Veiculadas por Mosquito, que congrega estratégias de combate ao Dengue, Febre-Amarela e Paludismo.

O plano abarca também outras vertentes, como a luta anti-vectorial, tratamento de pacientes, mobilização social e vigilância epidemiológica.

"Combater os mosquitos é a prioridade máxima nesta fase, incluindo a luta anti-vectorial, com uma monitorização permanente dos potenciais viveiros e uma intensa campanha de comunicação junto da população, visando a mudança de comportamentos e a adopção de atitudes mais favoráveis à saúde", disse.

fonte: site ANGOP - Agência Agola Press